Vídeo em que mulher arrasta criança com autismo em escola gera indignação

“O fato de que meu filho não é capaz de verbalizar bem o que passou significa que devemos lutar mais pelas crianças que não podem falar por si mesmas”

Imagens da câmera de segurança de uma escola em Kentucky, nos Estados Unidos, mostram uma professora arrastando uma criança com autismo pelos corredores da instituição.O caso ocorreu em outubro de 2018, mas só veio a público agora após a mãe da criança, Angel Nelson, postar o vídeo nas redes sociais, para alertar outros pais sobre o problema. As imagens causaram uma onda de indignação no país.

“Meu filho merece justiça”, escreveu a mãe do menino, Angel Nelson. “O fato de que ele não é capaz de verbalizar completamente o que passou significa que devemos lutar muito mais por todas as crianças, mas especialmente para as crianças que não podem falar por si mesmas”, defendeu.

O menino foi diagnosticado com autismo, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e depressão. Além disso, seu discurso também é limitado.

O filho de Nelson teria dito a ela que a professora “o jogou em uma cadeira” antes de arrastá-lo pelo pulso pelo corredor, mas as câmeras não mostram isso. Elas só mostram o que aconteceu fora da sala de aula. A mãe do menino alegou que ele sofreu vários ferimentos no pulso.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira (7), o distrito de Greenup County School, responsável pela unidade educacional, fez questão de enfatizar que seguiu o “protocolo de segurança estabelecido”, dizendo que uma investigação formal foi iniciada e que a mulher vista no vídeo não está mais ensinando na escola.

“Os pais foram contatados imediatamente e o aluno foi avaliado pela enfermeira da escola e encaminhado para avaliação médica externa. O Serviço de Proteção à Criança foi contatado e a Polícia do Estado de Kentucky abriu uma investigação. A professora foi removida da escola”, disse o comunicado.

“Acredito que todas as escolas devem ter câmeras instaladas para proteger alunos e professores”, escreveu a mãe do menino. “Além disso, todas as escolas devem ter mais treinamento para professores lidar com crianças com deficiência”.

“Nós, como pais, confiamos nos professores e funcionários da escola diariamente para ajudar a ensinar e ajudar nossos filhos a terem sucesso. Nunca devemos ter que nos preocupar com algo assim”, desabafou.

Um relatório recente dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos aponta taxas crescentes de autismo no país: 1,7 por cento das crianças (uma em cada 59) foram diagnosticadas com o transtorno em 2014, ante 1,5 por cento em 2012 (uma a cada 68).

Por Vanessa Barbosa com agências