Poluição do ar aumenta ansiedade nas crianças, sugere estudo

Uma pesquisa inédita relacionou a poluição do ar com o desenvolvimento cerebral das crianças e seu impacto no crescimento de problemas de saúde mental. Os especialistas focaram na correlação entre exposição à poluição do ar relacionada ao tráfego (conhecida pela siga TRAP) e ansiedade na infância, observando a neuroquímica alterada em pré-adolescentes.

“Evidências recentes sugerem que o sistema nervoso central é particularmente vulnerável à poluição do ar, sugerindo um papel na manifestação dos transtornos mentais, como ansiedade ou depressão”, disse Kelly Brunst, principal autora do estudo, em comunicado. “Este é o primeiro estudo a usar a neuroimagem para avaliar a exposição ao TRAP, a desregulação do metabólito no cérebro e os sintomas de ansiedade generalizada em crianças saudáveis.”

O mio-inositol é um metabólito de ocorrência natural encontrado principalmente em células cerebrais especializadas conhecidas como células gliais. Aumentos nos níveis dessa substância estão relacionadas ao cresimento do número células gliais — típico em estados de inflamação.

Poluição em fábrica (Foto: Wikimedia Commons)

POLUIÇÃO EM FÁBRICA (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

estudo revelou que as crianças expostas a níveis mais elevados de TRAP tiveram um crescimento da quantidade de mio-inositol em seus organismo, além de sintomas de ansiedade mais generalizados: “Essas descobertas sugerem que o efeito neurotóxico da alta exposição à TRAP na ansiedade generalizada é parcialmente (12%) devido ao aumento de mio-inositol”, afirmou Brunst.

A especialista, contudo, ressalta que os níveis de estresse não aumentaram ao ponto de fazer com que os voluntários fossem diagnosticados com transtorno de ansiedade. “No entanto, acho que [o resultado] se relaciona com um impacto maior na saúde da população… O aumento da exposição à poluição do ar pode desencadear a resposta inflamatória do cérebro, como é evidente pelos aumentos que vimos no mio-inositol”, relatou a pesquisadora. “Isso pode indicar que certas populações estão em maior risco de resultados piores dos níveis de ansiedade.” (Galileu)