PIB do Brasil cresce 0,8% no 3º tri, o melhor resultado do ano até agora

Resultado veio na linha do esperado; agropecuária teve a maior alta, mas serviços tiveram maior impacto. Consumo das famílias segue em recuperação

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou crescimento de 0,8% no 3º trimestre em relação ao trimestre anterior, de acordo com números divulgados nesta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi o melhor resultado trimestral do ano até agora, o que não foi surpresa: a previsão de instituições financeiras variava entre 0,3% e 1,1%, mas com a maior parte das estimativas na faixa entre 0,7% e 0,9%.

Em relação ao mesmo período do ano anterior, a expansão da economia brasileira foi de 1,3%. Nos últimos quatro trimestres em relação aos quatro trimestres anteriores, a expansão foi de 1,4%.

Período de comparação PIB
3º Tri 2018 / 2º tri 2018 0,8%
3º Tri 2018 / 3º Tri 2017 1,3%
Acumulado 4 trimestres / 4 trimestres anteriores 1,4%
Valores correntes no ano (R$ bilhões) 1716,2

 

As altas trimestrais foram de 0,7% na agropecuária, 0,5% nos serviços e 0,4% na indústria. Apesar do resultado da agropecuária ter sido o melhor, o crescimento foi mais puxado pelos serviços, que tem maior peso no conjunto do PIB.

Período de comparação Agropec. Indústria Serviços
3º Tri 2018 / 2º tri 2018 0,7% 0,4% 0,5%
3º Tri 2018 / 3º Tri 2017 2,5% 0,8% 1,2%
Acumulado 4 trimestres / 4 trimestres anteriores 0,4% 1,3% 1,5%
Valores correntes no ano (R$ bilhões) 61,9 331,6 1070,5

 

Todos os setores de serviços tiveram resultado positivo no trimestre com destaque para transporte, armazenagem e correio (2,6%), Comércio (1,1%) e Atividades imobiliárias (1,0%).

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o crescimento forte do transporte está ligado a uma compensação após a greve dos caminhoneiros no segundo trimestre.

Na indústria, houve alta no setor de transformação (0,8%) e no extrativo e construção (0,7%). A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos foi a única com queda: -1,1%.

“O resultado foi influenciado, principalmente, pelo aumento da fabricação de veículos; de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis; de celulose e papel; máquinas e equipamentos; indústria farmacêutica e produtos de metal”, diz o comunicado do IBGE.

Do lado da demanda, foi registrado crescimento no consumo das famílias (0,6%), consumo do governo (0,3%) e especialmente no investimento (6,6%) – um dos índices que anteciparam a crise ainda em 2013 e que indicam criação de capacidade de crescimento futura.

No entanto, a força do dado também está relacionada a uma mudança de metodologia com bens da indústria de óleo e gás passando a ser registrados como investimento e não como importação.

Período de comparação Investimento Cons. Fam. Cons. Gov.
3º Tri 2018 / 2º tri 2018 6,6% 0,6% 0,3%
3º Tri 2018 / 3º Tri 2017 7,8% 1,4% 0,3%
Acumulado 4 trimestres / 4 trimestres anteriores 4,3% 2,3% 0,2%
Valores correntes no ano (R$ bilhões) 289,2 1.105,8 323,7

 

A contribuição do setor externo foi negativa, já que as exportações subiram menos (6,7%) do que as importações (10,2%), que tendem a acelerar em momentos de retomada.

Na agropecuária, o IBGE destacou o café e o algodão, que tiveram crescimento na estimativa de produção anual e ganho de produtividade de 26% e 28%, respectivamente, enquanto houve fraqueza em itens como cana de açúcar, mandioca, laranja e milho.

Na base anual, a construção caiu pela 18ª vez seguida enquanto o consumo das famílias, principal item da demanda, cresceu pela 6ª vez.

A melhora foi puxada por “indicadores macroeconômicos ao longo do trimestre como a menor taxa de juros, acesso ao crédito e uma melhora no mercado de trabalho”, segundo o IBGE.

O IBGE também divulgou hoje sua revisão das taxas de crescimento anteriores, o que é praxe visto que as informações se tornam mais detalhadas com a passagem do tempo.

O crescimento do ano de 2017 foi revisado de 1% para 1,1%, e o resultado do primeiro trimestre do ano na base anual foi mantido em 1,2%, enquanto o do segundo trimestre foi revisado para baixo, de 1% para 0,9%.

Por João Pedro Caleiro