Osteoporose: por que fumar e beber aumentam o risco da doença

Álcool e cigarro podem ‘estressar’ células que ativam mecanismos relacionados a eliminação de estruturas ósseas, favorecendo o surgimento da osteoporose

Já é sabido que alguns hábitos do dia a dia aumentam o risco de desenvolver diversas doenças, incluindo a osteoporose – condição que deixa os ossos fracos e quebradiços.

Entre os hábitos que podem tornar o indivíduo mais propenso a desenvolver esse problema ósseo estão o tabagismo e o alcoolismo. Apesar disso, pouco se sabe a respeito dos mecanismos envolvidos nesse enfraquecimento.

Recentemente, pesquisadores americanos descobriram um mecanismo celular capaz de explicar porque esses hábitos interferem na saúde dos ossos.

De acordo com o estudo publicado no FASEB Journal, o consumo de álcool e cigarro pode ativar uma célula do sistema imunológico, levando-a a se transformar em outra modalidade de célula cuja função é reabsorver os ossos.

Esse processo é desencadeado quando a mitocôndria, parte da célula responsável pela respiração celular, fica sob stress – o que, segundo a equipe, é o que provavelmente acontece no organismo ao fumar e beber.

Reabsorção óssea

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores realizaram experimentos em células de camundongos cultivadas em laboratório. O foco da análise estava nos macrófagos (células responsáveis por absorver corpos estranhos no organismo). As observações mostraram que quando os macrófagos são danificados por uma determinada enzima, eles liberam moléculas sinalizadoras que desencadeiam inflamações e induzem as células a se “transformarem” em osteoclasto – responsável pela reabsorção óssea.

A reabsorção óssea tem como objetivo dissolver e digerir a estrutura dos ossos. Esse processo é ativado pela RANK-L, proteína liberada durante a formação óssea para garantir equilíbrio. Ou seja, criar novas estruturas e eliminar as velhas. No entanto, os pesquisadores descobriram que a produção de osteoclastos estimulada pelo stress mitocondrial atua de forma diferente: uma vez que os sinais de transformação são ativados, os macrófagos continuavam se transformando em osteoclastos, mesmo quando há baixa quantidade de RANK-L. Isso significa que o stress mitocondrial poderia estar substituindo o papel da RANK-L e, portanto, promovendo eliminação óssea maior do que a programada.

Desta forma, o consumo de álcool e cigarro pode ‘estressar’ as mitocôndrias que, por sua vez, ativam mecanismos de inflamação relacionados a eliminação exacerbada de estruturas ósseas, favorecendo o surgimento da osteoporose.

Apesar dos resultados, os pesquisadores esperam realizar novas pesquisas para compreender melhor todos os mecanismos envolvidos neste processo. Eles também pretendem verificar se prevenir o stress mitocondrial pode reduzir o risco de osteoporose.

A osteoporose

A osteoporose é uma doença silenciosa, que avança lentamente. Não há dor nem sintomas. Os ossos tornam-se porosos, frágeis, e podem partir-se como gravetos. O pesadelo assombra principalmente as mulheres que já passaram pela menopausa. Uma em cada três mulheres com mais de 50 anos tem a doença. Entre os homens da mesma faixa etária, um em cada cinco é afetado.

O osso, diferentemente do que se imagina, não é uma estrutura estática. Desde a infância, o organismo troca constantemente células ósseas velhas por células novas. Na juventude, a construção prevalece sobre a destruição. Na osteoporose, o poder das células de erosão se torna maior e começam as perdas.

O paciente perde massa óssea, com isso aumenta o risco de fraturas, que podem acontecer mesmo no menor impacto e pode afetar negativamente sua qualidade de vida e prejudicar a independência para realizar tarefas do dia a dia.

As fraturas mais comuns (50%) são as vertebrais e, em segundo lugar (25%), as de quadril. Porém, a última é mais perigosa: cerca de 25% das pessoas morrem após um ano, 40% das pessoas ficam incapazes de andar de forma independente e 33% acabam totalmente dependentes ou em uma casa de repouso.