Operação Catarse: Polícia faz buscas por irmãs de deputada suspeitas de serem funcionárias fantasmas

A Polícia Civil de Araguaína fez buscas em endereços de duas mulheres suspeitas de serem funcionárias fantasmas da Secretaria-Geral de Governo do Tocantins. Maria do Perpétuo Socorro Castelo Branco e Vânia Maria Castelo Branco são irmãs da deputada estadual Valderez Castelo Branco (PP), que é a atual líder do governo na Assembleia Legislativa.

Os delegados José de Anchieta e Bruno Boaventura decidiram indiciar as duas porque, segundo a investigação, ficou comprovado que elas não exerciam qualquer função ou sequer iam ao Palácio Araguaia, onde a secretaria funcionava, mesmo estando lotadas no local desde 2016.

Maria do Perpétuo Socorro chegou a ficar lotada como secretária particular do governador com salário de R$ 4,5 mil. Já Vânia Maria era ‘assessora técnica especial’ e ganhava R$ 2,1 mil. Os dados foram obtidos pelo G1 através do Portal da Transparência e são relativos ao mês de novembro de 2018. Atualmente, nenhuma delas consta nas folhas de pagamento do Poder Executivo.

Ainda não foi divulgado pela Secretaria de Segurança Pública se algo foi apreendido nos imóveis das duas. A medida é um desdobramento da Operação Catarse, que investiga funcionários fantasmas nos poderes Executivo e Legislativo do Tocantins.

Outro lado

A reportagem tenta contato com a defesa das irmãs Maria do Perpétuo Socorro e Vânia Maria Castelo Branco.

A deputada Valderez Castelo Branco afirmou que soube dessa questão pela imprensa. Sobre a citação das irmãs dela, disse que tem conhecimento de que eram servidoras e que seus trabalhos foram desenvolvidos.

O Governo do Tocantins disse que as investigações da Operação Catarse dizem respeito a contratações que ocorreram na gestão anterior. E que os servidores em questão só puderam ser desligados após o fim da vedação imposta por decisão da Justiça Eleitoral que proibiu a exoneração de servidores públicos, em virtude das duas eleições realizadas no Tocantins em 2019.

A operação

A Operação Catarse é uma força-tarefa de várias delegacias do estado para investigar danos ao erário público. As investigações começaram após denúncias de funcionários fantasmas do governo do Estado em Araguaína, norte do Tocantins, em dezembro de 2018.

Depois, mandados foram cumpridos na Secretaria-geral de Governo, no Palácio Araguaia, onde os agentes encontraram indícios de que 300 funcionários estariam recebendo sem trabalhar. Essa fase da operação inclusive foi alvo de críticas do próprio secretário de segurança pública.

Outro desdobramento ocorreu na Câmara de Vereadores de Porto Nacional, quando foram cumpridos mandados contra fraudes em licitações. Essa fase foi chamada de Negócios de Família. A suspeita é de que o grupo teria desviado R$ 700 mil.

Gabinetes de deputados também já foram alvo da operação Catarse. Três funcionários da Assembleia Legislativa chegaram a ser presos preventivamente. Neste caso, a suspeita é de que assessores parlamentares tinham que devolver a maior parte do salário para pessoas ligadas aos parlamentares. (g1)